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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Capítulo 3

Vídeo performance "Capítulo 3"

Realizada em 2014
Gravação e edição Luis Dourado



A vídeo performance Capítulo 3 faz parte de um esforço da artista em organizar em um só trabalho a síntese do que vem propondo em seus trabalhos nos últimos 3 anos:
O crochê como metáfora do tempo e do corpo em transformação. Uma máscara-veste de crochê concebida e realizada pela artista aparece neste trabalho sendo desfeita pela própria artista diante da camêra até que seu corpo seja revelado. Concomitante ao esforço de desmanchar, escutamos em off a artista narrando os pontos utilizados para realização da máscara-veste que está a desmanchar. Os tempos passados, atuais e virtuais se sobrepõem e se confundem - o tempo do fazer, do desfazer e o tempo do próprio vídeo e o da performance - numa tentava de experimentar as passagens temporais de forma menos linear ou lógica; de forma mais interna que externa.


"Irene era uma jovem nascida para não incomodar ninguém. Fora sua atividade matinal, ela passava o resto do dia tricotando no sofá do seu quarto. Não sei por que tricotava tanto, eu penso que as mulheres tricotam quando consideram que essa tarefa é um pretexto para não fazerem nada. Irene não era assim, tricotava coisas sempre necessárias, casacos para o inverno, meias para mim, xales e coletes para ela. Às vezes tricotava um colete e depois o desfazia num instante porque alguma coisa lhe desagradava; era engraçado ver na cestinha aquele monte de lã encrespada resistindo a perder sua forma anterior. (...) Mas é da casa que me interessa falar, da casa e de Irene, porque eu não tenho nenhuma importância. Pergunto-me o que teria feito Irene sem o tricô. A gente pode reler um livro, mas quando um casaco está terminado não se pode repetir sem escândalo. Certo dia encontrei numa gaveta da cômoda xales brancos, verdes, lilases, cobertos de naftalina, empilhados como num armarinho; não tive coragem de lhe perguntar o que pensava fazer com eles. Não precisávamos ganhar a vida, todos os meses chegava dinheiro dos campos que ia sempre aumentando. Mas era só o tricô que distraía Irene, ela mostrava uma destreza maravilhosa e eu passava horas olhando suas mãos como puas prateadas, agulhas indo e vindo, e uma ou duas cestinhas no chão onde se agitavam constantemente os novelos. Era muito bonito." (Julio Cortázar, trecho de Casa Tomada)

























quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Com olhos bem abertos / II FAC


A performance "Com olhos bem abertos" aconteceu no dia 10 de novembro de 2013, no MAMM em Juiz de Fora, durante o II Festival de Artes do Corpo: corpo ampliado.



























sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Blossom Girl e FAC:reperformance




A performance se inicia com a artista, vestida de vermelho, sentada entre aproximadamente 950 balões também vermelhos. Há uma música suave, Noturnos de Chopin, que envolve a ação enquanto Priscilla enche ainda 50 balões. Ao completar 1000 balões Priscilla se levanta e retira um de seus brincos, com ele ela começa a estourar cada balão, um a um, até que todos sejam destruídos. Ao final, ela recoloca os brincos, sorri para os visitantes e vai embora.

Blossom Girl  fez parte do I Festival de Artes do Corpo: reperformance, realizado em 2012 pelo grupo de trabalhos e pesquisa ILEA (intervenções em lugares, espaços e adjacências) da UFJF. A proposta do I FAC era trabalhar com a reedição e pós-produção de performances emblemáticas. Priscilla de Paula faz seu trabalho a partir da performance “Cair em si” (2002) de Márcia X. Em “Cair em si”, mil copos ocupam o espaço agrupados de forma mais ou menos ordenada em torres de vários tamanhos. Correntes finíssimas de metal, entremeadas por pequenas coroas de santos católicos ligam os copos entre si. Márcia X, descalça e vestida de branco, começa a performance enchendo os copos com um líquido branco.  Ao terminar de enchê-los, vai a até a parede e pega as duas pontas das correntes que ligam os copos colocando-as nas orelhas como se fossem brincos. Ao andar pelo espaço, saindo da instalação que acaba de criar, vai puxando pelos brincos recém colocados, naturalmente e deliberadamente, os fios de metal derrubando e quebrando os copos, derramando  o liquido, causando barulho e desordem.

Em Blossom Girl, os copos de Márcia X são substituídos por mil balões vermelhos. Tais objetos continentes não são cheios pelo líquido (leite/sêmen) e sim pelo ar (alento, oxigênio  e suspiro). O vermelho é a cor ritual de muitas das performances da artista e aqui está presente como saturação visual e catalisador de energia erótica e vital.  A música serve de contraponto e dita o ritmo inicial da ação, porém, no momento em que Priscilla começa a transformar radicalmente o que antes construiu suavemente, a música é abafada na explosão sonora e visual da performance, porém, em alguns momentos, ainda se faz audível em toda sua delicadeza. Por fim há os brincos, referência direta ao feminino idealizado pela cultura ocidental e é no momento em que ele é retirado, e não colocado como em Márcia X, que a geografia que liga o corpo da artista ao mundo exterior é transformada. O sorriso ao final, dirigido ao público, religa e reintroduz a artista ao mundo real que a rodeada durante a performance, é o “cair em si”.
Créditos das imagens: Joao Paulo Almemida Siqueira de Oliveira




domingo, 16 de outubro de 2011

WAR


A performance WAR foi realizada no 11 Festival de Performances Tubo de Ensaios, nos dias 1 e 2 de outubro de 2011 em Brasilia (UnB). WAR simula um jogo onde o espaço performático é um tabuleiro, os performers são exércitos e o objetivo é atravessar as fronteiras do outro. Neste jogo, a intenção é confrontar singularidades de forma lúdica e desafiadora. Como no clássico jogo War, cada performer é um exército, identificado pela cor de sua roupa, e com determinada lista de objetivos a cumprir.
WAR começa com o grupo ligado entre si por elásticos (cujo objetivo é tanto o de limitar quanto o de potencializar os movimentos e as ações individuais; bem como fazer alusão às linhas fronteiriças de mapas e territórios). A performance se organiza a partir de um enunciado/pergunta proposto pelo grupo: “Como devo me ligar a você?” e das respostas/missões do público participante à esta pergunta. Qualquer pessoa pode propor uma missão que tenha a ver com tal pergunta e escrevê-la num grande mural disponível no ponto de partida da performance.



A performance WAR propõe um ação lúdica para discutir as questões que permeiam os limites entre o sujeito e a alteridade. Trabalhamos o problema das fronteiras atuando mais sobre as  relações entre subjetividades na vida contemporânea e menos sobre fronteiras territoriais concretas. Trabalharemos, por exemplo, com questões relativas ao que é público e o que é privado no meu corpo e no meu comportamento; como meu corpo se comporta na presença do outro; como posso compartilhar experiências corporais e afetivas com o outro, sendo ele um estranho ou um conhecido, etc.
Acreditamos que a lista de missões, criada principalmente pelo participante visitante, se apresentará como um manual de aproximação entre “o mesmo” e “o outro”, serão roteiros sobre possíveis formas de atravessar as fronteiras entre os sujeitos distantes e próximos.